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Afastada

Deputada deixa presidência do PSOL do Rio após sofrer tentativa de extorsão

Setembro 03
00:00 2013

A deputada estadual Janira Rocha se licenciou na manhã desta terça-feira (3) da presidência do Diretório Estadual do PSOL e da liderança da sigla na Assembleia Legislativa do Rio. A decisão foi tomada após ela ser alvo de extorsão de dois ex-funcionários que tentaram vender um dossiê contra ela.

A dupla acusa a deputada de desvio de verba do Sindsprev (Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro) na época em que Janira integrava a diretoria da entidade, além de cobrar a chamada "cotização", na qual o funcionário é obrigado a repassar parte do salário ao deputado.

De acordo com a assessoria da deputada, Janira pediu afastamento dos cargos porque pediu para ser submetida ao Conselho de Ética do partido.

Ela nega a cotização fixa mensal. A assessoria da deputada afirma que os funcionários do gabinete que também fazem militância política pelo PSOL contribuem no apoio dado a ações de movimentos sociais. Não há, segundo a deputada, obrigatoriedade ou valor fixo.

Janira nega ainda qualquer desvio de recursos do sindicato, como apontado pelos ex-funcionários.

Marcus Paulo Alves e Cristiano Valadão são suspeitos de tentar vender um dossiê contra a deputada por R$ 1,5 milhão. A dupla foi exonerada do gabinete em junho passado. De acordo com a assessoria de Janira, a deputada conheceu Alves e Valadão no Sindsprev, que é a sua base eleitoral.

Janira os demitiu em junho deste ano por não estar satisfeita com o trabalho da dupla, que era responsável por cuidar da relação da parlamentar com o partido.

Pouco mais de um mês depois da demissão, no dia 15 de agosto, a deputada foi procurada por três emissários que pediam R$ 1,5 milhão para não revelarem o teor do dossiê --um suposto desvio de verba do Sindsprev na época em que Janira integrava a diretoria. A a recontratação da dupla era outra exigência. Após não aceitar a proposta, Janira Rocha pediu orientação ao procurador-geral de Justiça, do Rio, Marfan Martins Vieira. Por recomendação de Vieira, a deputada prestou depoimento na quinta-feira (29).

Sem saber do depoimento da deputada ao Ministério Público, Alves e Valadão procuraram, na semana passada, pela secretária estadual de Defesa do Consumidor, a deputada estadual Cidinha Campos (PDT). Campos alertou a polícia, fingiu aceitar a proposta de pagar R$ 1,5 milhão e marcou um encontro com a dupla para esta segunda-feira.

Ao chegarem com os documentos, os dois homens foram presos em flagrante pela Polícia Civil. Eles foram levados à Delegacia Fazendária para prestar depoimento.

Valadão foi demitido em 6 de junho deste ano, era auxiliar especial e ganhava R$ 3.423,15. Alves havia sido demitido dois dias antes e era assessor parlamentar I, com o salário de R$ 6.364,23.

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