AJUPM | CENTRO DE APOIO AOS POLICIAS MILITARES

Comando exemplar

Istoé elege Beltrame como "Brasileiro do Ano - Cidadania"

Dezembro 08
00:00 2011


Depois de mais de 40 anos nas mãos de traficantes e milicianos, as favelas cariocas, enfim, estão se libertando dos criminosos por meio do projeto Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), idealizado por Beltrame e pelo governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB). A comunidade do Dona Marta foi a primeira a receber uma UPP, em 2008. Até então, comandados por bandidos armados com fuzis e granadas, os moradores não tinham endereço fixo, compravam botijões de gás de quadrilhas, tinham serviços que deveriam ser públicos, como água e luz, roubados. Por esse resgate, a revista ISTOÉ homenageia o secretário Beltrame com o prêmio Brasileiro do Ano – Cidadania.


Sob seu comando, 19 complexos de favelas do Rio já foram pacificadas e voltaram a contar com a proteção e as leis do Estado. Na última a ser ocupada, a gigantesca Rocinha, no mês passado, não houve o disparo de um único tiro sequer. O objetivo é pacificar 40 complexos de favelas – se possível, sem derramamento de sangue. Tímido e sem demonstrar de slumbramento com o poder, Beltrame diz que ouvir elogios de moradores de áreas pacificadas é, ao mesmo tempo, o que ele mais preza e mais teme. “Tenho receio de que alguma coisa não dê certo e possamos perder esse carinho, essa inspiração”, diz. A política de gestão para segurança pública desenhada por Beltrame engloba o morro e o asfalto. Para as áreas conflagradas, as UPPs; para o asfalto, o Sistema Integrado e Metas (SIM). Para ambas, a diretriz é a do estabelecimento da legalidade e da cidadania com a diminuição da violência.


Com o SIM, hoje, no Rio, há gratificação para o policial que matar menos, em contraposição ao que já se chamou de “gratificação faroeste”, dada a PMs que registravam muitos autos de resistência – quando a pessoa é morta por, supostamente, ter reagido. “Se matar resolvesse o problema, o Rio de Janeiro, que é a cidade onde a polícia mais mata e mais morre no Brasil, já teria equacionado o desafio”, afirma. O combate ao tráfico é uma das prioridades para mudar o quadro de alta violência da cidade, mas o alvo principal é acabar com o domínio territorial. “Além de vender drogas, eles eram donos da comunidade. Não é possível que na porta de uma escola tenha um cara com um fuzil na mão, e não um guarda. Que educação é essa?”, questiona o secretário. A pacificação, para ele, “é derrubar esse muro onde tem pessoas com armas automáticas que não deixam que se viva dentro de um sistema de direito”.


Não há romantismo na estratégia. Beltrame sabe que a violência não cairá a nível zero e que o tráfico não vai desaparecer porque enquanto existir consumidor, existirá o vendedor de drogas. E aponta a parte que cabe ao usuário: “Ele não pode ter uma visão apenas contemplativa de tudo o que está vendo acontecer. Isso é com ele também.” A experiência à frente dessa histórica reviravolta nas comunidades pobres do Rio permite, também, que ele desbanque dois mitos. Um: de que o tráfico constitui crime organizado. Para Beltrame, o verdadeiro crime organizado está na evasão de divisas feita pelos criminosos do colarinho branco. “Os do morro vão ter que vender muita droga para chegar aos pés de uma transação dessas.” Dois: que a população das favelas se sente protegida por traficantes. “Em apenas um dia, entre 8h e 17h, chegaram 250 denúncias anônimas dizendo onde os bandidos se escondiam, onde armas estavam enterradas, etc. Isso fala por si, não é?”


Após a ação policial, é a hora da ação social. A “UPP social”, como são chamadas as ações realizadas após a ocupação, consiste em oferecer escolas, hospitais e saneamento básico, entre outras benfeitorias, para a população. Paralelamente, Beltrame trabalha na mudança e na formação e capacitação dos policiais. Ou seja, novos currículos e nova mentalidade, como a substituição, nos momentos certos, do revólver pela arma Taser, do tipo paralisante. O ano de 2012 deverá ser de colheita. Já em janeiro, uma nova frota de patrulha estará nas ruas e cada carro terá seu computador de bordo. “Não adianta falar em gestão de pessoas hoje, se você não tem tecnologia. É necessário ver online o que está acontecendo pela cidade”, afirma.


Os resultados obtidos no Rio o credenciam para fazer escola Brasil afora. Outros Estados estão em contato com o secretário para adaptar seu modelo de gestão às necessidades regionais. A repercussão do seu trabalho, entretanto, não faz dele um homem diferente do adolescente meio tímido de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde nasceu e fez faculdade de Direito. Ele se classifica de determinado. Seus colegas o chamam de “carrapato”. Quando está investigando algo, não sossega enquanto não realiza a tarefa. “Me cobro muito”, reconhece. Mas alerta: nada seria sem seus colaboradores. “Tenho uma equipe muito abençoada. Eu nada teria feito sem eles. Em certas situações, hoje, acho que é melhor você ter amigos do que técnicos. Não porque o amigo vá te apoiar. Mas porque ele vai te dizer a verdade, te fazer tomar a atitude. O técnico, aquele que veio pelo currículo, não tem esse envolvimento”, conta.


Com informações da Fenapef

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