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Combate

SUS amplia oferta de remédios contra Aids

Novembro 01
00:00 2013

Apesar de ser apontado como exemplo de sucesso mundo afora, o programa brasileiro de combate ao HIV/Aids ainda impede que uma parcela dos soropositivos tenham acesso aos medicamentos ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente quem descobre a doença precocemente. É o caso de Lucas (nome fictício). O estudante carioca, de 27 anos, descobriu que estava contaminado pelo vírus HIV há um ano, logo após o contágio. “Eu tive uma relação desprotegida e fiquei desconfiado. Fiz o teste logo depois e tive a confirmação”, relata ele. Mas a contagem das células de defesa CD4, que indicam o grau de evolução da doença no organismo, estava em cerca de 700 unidades por milímetro cúbico de sangue. Pelas regras do SUS, os medicamentos antirretrovirais só são oferecidos quando essa taxa fica abaixo de 500/mm³.

Nos próximos meses, porém, o tratamento contra a Aids estará disponível na rede pública logo após o diagnóstico, independentemente do estágio da doença. É o que determina o novo protocolo do Ministério da Saúde, cuja publicação deve sair até o fim deste mês. O ministério estima que a mudança amplie em até 100 mil o número de pacientes com HIV com acesso ao tratamento. Com a publicação do novo protocolo, o Brasil se tornará o terceiro país a ofertar o coquetel de remédios logo após o diagnóstico, prática já adotada na França e nos Estados Unidos.

Também têm direito aos medicamentos os pacientes que apresentam outras doenças relacionadas à Aids, como tuberculose e hepatite, e os casais sorodiscordantes (quando um dos parceiros não tem o vírus). Atualmente, cerca de 313 mil soropositivos são atendidos pela rede pública.

Especialistas ouvidos pelo Estado de Minas aprovam a mudança. “O novo protocolo está de acordo com a pesquisa mais recente sobre o assunto. Quanto mais cedo se inicia o tratamento, melhor”, diz a professora Celeste Aída Oliveira, da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB). Mas ela faz uma ressalva: “Uma vez iniciado o tratamento, é muito importante que a pessoa dê continuidade.A interrupção faz com que a síndrome se torne mais resistente. O tratamento não se restringe a medicamentos”.

Gestores e especialistas da área são unânimes: é fundamental ampliar o número de testes, para que o tratamento seja iniciado ainda nos primeiros estágios da doença. “Hoje, 28% dos pacientes no Brasil iniciam o tratamento com a contagem de CD4 abaixo de 200/mm³, numa situação bem complicada. É necessário ampliar a oferta e a divulgação da testagem. É isso que garantirá que a estratégia tenha sucesso”, avalia a médica sanitarista Maria Clara Gianna, que coordena o Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo.

Ludymilla Anderson Santiago trabalha há três anos no projeto Quero Fazer, que oferece testes instantâneos de HIV para populações de risco no Distrito Federal. Ela confirma: ainda há entraves para quem quer fazer o teste. “Especialmente no caso das pessoas mais vulneráveis, existe uma dificuldade para fazer o exame no SUS. Seja pelo horário, seja pelo medo de sofrer preconceito”, comenta. O governo informou que no ano passado disponibilizou 3,7 milhões de testes rápidos de HIV e que conta com uma rede de 345 centros de testagem e aconselhamento (CTA).

Memória

A revolução do coquetel

A evolução dos medicamentos antirretrovirais acompanhou, nos últimos 30 anos, os avanços sobre a compreensão da Aids e do vírus HIV. Apesar de os primeiros casos da síndrome terem surgido no fim dos anos 1970, a doença só foi identificada em 1982. Em 1984, cientistas confirmaram que o HIV era o causador da doença, o que abriu caminho para as primeiras pesquisas de medicamentos. Em 1987, surgiu o primeiro remédio capaz de conter a multiplicação do HIV: a zidovudina, ou AZT. O AZT foi também o primeiro antirretroviral a ser distribuido gratuitamente pelo SUS, a partir de 1991. Desde então, eles se diversificaram e passaram a ser combinados nos chamados coquetéis, quando medicamentos com funções diferentes são usados em conjunto.

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